31/12/09
28/12/09
Amor

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado que quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Miguel Esteves Cardoso
27/12/09
19/12/09
15/12/09
Festão!!!

O ambiente de trabalho: uma cabine de dj. As ferramentas de gestão: dois pratos e uma mesa de mistura. O público-alvo: urbano e impertinente. O elemento principal: a música. Mistura-se um background com muita experiência e provas dadas, a nível de djing e produção, e o resultado é este: Magazino.
Magazino é o nome deste projecto, cujo mentor se dá a conhecer sob a forma de dj sets, que nos levam em viagens para destinos inebriantes e dançáveis, numa fusão melodiosa de vários estilos, que bebe influências de house, minimal, algum neo disco, ou até mesmo old school Detroit techno. O projecto transparece algumas das últimas vanguardas artísticas, com foco evidente na música, e pode ser comparado a quem lê as notícias num jornal diário.
O responsável do Magazino apresenta-se sempre em traje executivo. A opção por este traje não é despropositada. Para ele, o trabalho é na cabine de som. A tarefa é exigente, mas este profissional cumpre o seu serviço, sozinho ou em equipa. Por vezes, o Magazino recruta reforços para tarefas árduas e é provável que encontrem, não um, mas, dois profissionais na cabine, formando uma equipa de verdadeiros executivos de sucesso que nunca perdem a pose, nem despem o fato.
Com uma ampla experiência a nível musical, o currículo Magazino soma diversas formações técnicas, actuações e produções a nível nacional e além fronteiras.
As cidades pediam um projecto musical assim.
Magazino é um alter-ego de Del Costa. Dj desde o início dos anos 90, iniciou a sua carreira no antigo Clubíssimo, em Setúbal. A partir daí conta no seu currículo com actuações um pouco por todo o território nacional e é dos djs portugueses que, nos últimos anos, mais tem levado a mala de discos a viajar pelo mundo, contando com actuações em festivais como o importante Sonar ou o mítico Monegros, bem como em prestigiados clubes como Rex e Batofar (Paris), Sundaysonic (Londres), D-Edge (São Paulo), Niceto (Buenos Aires), Flokati (Munique), Prozac (Cracóvia), Q-Club (Zurique), Propaganda (Moscovo), Le Club (Valência), Kef (Edimburgo), Silo (Bruxelas), Tropical (Los Angels), Bump (Boston), P.V. Club (Sibéria) ou, entre muitos outros, Moog e La Terraza, em Barcelona, cidade onde vive desde o início de 2006 e onde se encontra a tirar Engenharia Áudio, curso que acumula com o djing um pouco por todo o mundo.

Vasco Fortes
Desde cedo um divulgador da música que ia conhecendo, tentando passar ao próximo a mensagem contida nas estrias do seu último vinil. Ávido coleccionador de música gravada em formato analógico desde as primeiras visitas a lojas onde se encontrou com Carl Craig, Arthur Russell, Kraftwerk e Art of noise.
Sempre influenciado pela cena musical algarvia, por este ser o local onde vive é acreditando na música como meio de comunicação universal que segue o caminho, explorando os sons e as pessoas.
A sua experiência fê-lo apurar o processo de selecção e apresentação da sua música e em cada sessão de dj tenta cativar e surpreender o público, usando e abusando da sua colecção..
Da euforia dos clubes e festivais internacionais, a pequenos bares e restaurantes de luxo, ou até às experiências sónicas possibilitadas pelas festas de praia no sul de Portugal, ao todo são quase vinte anos de residências, programas de rádio, passagens por academias e workshops, lojas de música e estúdios de produção.
ATÉ SEXTA PESSOAL!





















